ago 22, 2016

A valorização do trabalho manual

A valorização do trabalho manual

Em um mundo movido pela velocidade do rolar das máquinas e engrenagens, há um distanciamento da paciência e do ato de apreciar, promovido pelo fazer com as próprias mãos. Este distanciamento inibe o processo de auto realização e autoconhecimento das pessoas.

Fazer algo é transformador e esse é o mote do escritor e pesquisador de estudos avançados em cultura na Universidade da Virginia Matthew B. Crawford.
Durante o caminhar da humanidade, o trabalho passou por várias transformações em seu significado e no impacto que faria na sociedade. Para os gregos antigos, trabalho manual era algo rústico, e eles preferiam se dedicar à política e a filosofia, enquanto na renascença, o trabalho do artesão era exaltado. Após a Revolução industrial, o trabalho se tornou o centro das vidas das pessoas, assim como o culto aos bens de consumo.
Contudo, sempre há aqueles que vão romper com a ordem vigente e irão fazer diferente. Uma tendência atual é a realização de práticas paralelas aos trabalhos centrais, como hobbies sérios que levam muitas pessoas a realizarem trabalhos manuais e empregar mais valor a eles.

O autor já citado no texto é uma dessas pessoas diferentes que romperam com a ordem estipulada e, em seu livro “Shop Class as Soulcraft – An Inquiry Into the Value of Work”, ele aborda que uma mudança significativa está em andamento. O que se fazia com as próprias mãos, compra-se pronto hoje, o que se consertava, substitui com outro exemplar novo. Essa troca fez com que o homem perdesse suas habilidades manuais, fazendo-o passivo e dependente, contribuindo para que o verdadeiro valor do trabalho se perdesse em meio a tanta automação.

Ainda para o autor, pessoas que trabalham mais próximas aos fenômenos da natureza conseguem realizar relações mais coerentes, diferentemente de quem lida mais com o trabalho abstrato e ignora a matéria-prima da realidade, que tende a gerar dogmas baseados em pouca observação e mais intransigentes.

A desvalorização do trabalho manual é histórica e remete à transformação da produção em série da Era Fordista e às novas formas de gerir um negócio, baseadas no custo-benefício, estendendo-se, nos dias de hoje, aos setores de serviços.

Quando há uma dissociação negativa no valor do trabalho manual, alguns laços necessários para as relações humanas são sacrificados em prol do crescimento econômico. Sem o valor humano, nenhuma forma financeira consegue se sustentar por muito tempo, e acaba entrando em crise.
O valor está na possibilidade da criação manual e no trabalho envolvido. Tempo, dedicação e conhecimento, ou melhor, acúmulo de experiências e conhecimento. O trabalho manual, como o artesanato é inerente ao homem, fazendo parte de sua concepção e quando se distancia dele, perde-se sua verdadeira essência.

É por isso que a PH FIT valoriza e incentiva a produção manual, em forma de artesanato, através de sua iniciativa “Clube de Artesanato”.

Confira no site: http://www.clubedeartesanato.com.br/

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